Side b.

Side b.

A girl with kalejdoskop eye

  1. Ele abre o guarda-roupa e pensa não no que vestir, mas como sobreviver àquela data. Olha as pilhas de tecido amassado e pondera entre a besta com presas do Motörhead e a diabete do Matanza. Ambas másculas e com a dose certa de canalhice que precisa para chegar quase que inteiro ao fim do dia, aquele maldito dia. Mas, como sempre, lembra que no fundo do armário, no mesmo monte das estampas que lhe fazem desmerecer as discografias completas de AC/DC a ZZ Top – “onde diabos eu estava com a cabeça quando pensei que seria legal ter uma camiseta do Evanescence?” –, está o espólio do seu fracasso. Automaticamente, aqueles meses lhe voltam à mente. Foram poucos, durante os quais havia prometido a si mesmo manter os pés bem firmes no chão. Mas quando alguém vira teu mundo de ponta-cabeça, fica difícil manter qualquer promessa. Bem da verdade, naqueles meses ele mandara todas suas certezas aos infernos. Só não sabia que o diabo em pessoa que o fizera agir assim. O diabo que tinha o sorriso mais lindo que já havia visto na vida – embora fosse raramente compartilhado –, coxas tatuadas que lhe fizeram perder o ar e, infelizmente, um gosto musical que o tornara um loser patético. Smiths, Cure, Joy Division, Radiohead e até aquelas bandinhas alternativas que tanto abominara a vida toda. Maldita diaba das belas pernas. Com uma determinação incomum, vasculha entre as camisetas aquelas que comprara no lapso de sanidade que durou alguns meses e o fez até blasfemar que Beatles seria melhor que Rolling Stones. Vai tudo pro lixo. Talvez… exceto por uma. Aquela do Dylan que o correio lhe entregara há um mês, exatamente quando o próprio diabo resolvera mandar-lhe ao inferno. Nada mais adequado para aquele dia, aquele maldito dia, do que a companhia estampada de Dylan e seu refrão “how does it feel to be without a home? Like a complete unknown? Like a rolling stone?”.

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    (ilustração - Reverbcity)

  2. super lazy <3

    (Source: pusheen)

  3. Wanda, you go, girl!

    Wanda, you go, girl!

  4. kind of in love.

    I these bodies we will live

    In these bodies we will die

    Where you invest your love,

    Is where you invest your life.

  5. As coisas que restam

    Aprender uma coreografia nova de sapateado que envolva pausas dramáticas e movimentos excêntricos com o calcanhar; passar a noite comendo sequilhos; ir ao cinema ver o mesmo filme pela quinta vez só para decorar as falas da voz em off; pesquisar sobre rastros de lesmas e recitar as informações obtidas para um desconhecido numa festa barulhenta; andar na rua como se fosse um enviado secreto do governo da Rússia, um pirata ou um viajante no tempo.

    Às vezes perdemos coisas importantes na vida e um conjunto de lápis de cor é o que nos resta; a decisão de pintar as janelas; de nos concentrarmos em campeonatos de mímica; de bater coisas no liquidificador e olhar debaixo da cama só para ver se tem gente. Pessoas vão embora e, na partilha extrajudicial, ficamos com os restos.

    O que geralmente nos resta é cantar músicas com os olhos fechados, chacoalhando a cabeça feito um Ray Charles; comprar o próprio peso em palavras cruzadas; praticar o pingue-pongue com estranhos num domingo à tarde e competir como se a vida dependesse disso. Resta é cuidar das plantas, cultivar tomates e manter na sala uma bola gigante de plástico; passar a noite no telhado examinando o céu e aguardando impacientemente a explosão da Eta Carinae; arrumar as gavetas; jogar fora coisas importantes; contar piadas ruins e aprender uma língua morta.

    São coisas que nos salvam quando nada mais parece existir: ler um romance russo numa única madrugada e se afeiçoar ao mocinho; consertar um relógio de ponteiros; escrever uma carta; fingir que acabou a luz. Levar um tombo de bicicleta e se ralar inteiro; conversar com estátuas; convidar alguém para tomar chá com sucrilhos.

    Resta girar muito rápido enquanto se dança e perder o equilíbrio; espirrar e perder o equilíbrio; dar risada e perder o equilíbrio; viver tropeçando; ter uma crise de soluços. Repetir o swing out até ficar com enjoo; fazer a segunda voz das músicas; fingir que a vida é um musical da Broadway e conversar com o taxista cantando; tomar sol com as tartarugas; vestir uma roupa excêntrica; atualizar as vacinas; correr para pegar o ônibus.

    São coisas que nos restam: o vazio, a raiva e a tristeza, mas também os chinelos de pano, as pessoas que tocam tuba, as luzes coloridas, o sorvete de manga e os velhinhos ao sol. Restam-nos as noites de rockabilly, as crianças vestidas de Batman, as piscinas aquecidas, os amigos de infância e o centro histórico de Macau − isso sem falar numa barraca de rua que só vende pijamas de flanela.

    Restam, enfim, o amarelo, o azul e o umami, os filmes tolos dos anos 40, as Olimpíadas, o vento, o suco de maçã. Amigos que gostam de mágica, astronomia, pôquer, carpintaria, triatlo, futebol americano e que estão sempre para operar o joelho. As lojas de R$1,99, os jardins, os telescópios e as viagens com escala em Dubai. Sair para comprar couve. Escolher um novo abajur.

    O que, veja bem, não é pouco.

    por Vanessa Barbara.

  6. (Source: peroxxideprincess)

  7. encerrando o domingo de filmes e cobertas. :)

    encerrando o domingo de filmes e cobertas. :)

  8. Dalí. &lt;3

    Dalí. <3

    (Source: sherlocktonabbey)

  9. vdd

    vdd

    (Source: blowthewhistlebaby)

  10. Desculpa por te tratar, assim, como um amigo chegado. Eu nunca soube muito bem manter a formalidade. Exatamente por isso, nesse momento, tô usando a 2a pessoa do singular tão confortavelmente. Pra mim sempre foi assim, apesar da imposição dessa 2a pessoa do plural. Tu está (abusando até da concordância) bem mais perto do que vós. E essa é a ideia, né?! Estar tão perto quanto possível. Justificado isso, meu amigo, eu só tenho  a agradecer. Eu pedi muita coisa por muito tempo. Vou continuar pedindo muita coisa por muito tempo, disso eu tenho certeza. Mas hoje, pelo menos hoje, à 00:06 [pelo menos no início dessa confissão fajuta], eu agradeço. Há muito tempo eu não via a vida como a vi hoje. Tu só pode ser “tu” mesmo. Em dias como hoje, o singular vira plural e significa mais do que qualquer sujeito possa explicar. Obrigada por todos e a todos os “tu” que são “tu mesmo”.

  11. "Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz! Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade!"

    Le Petit Prince, Antoine de Saint-Exupéry

  12. ô, seu moço do disco voador, me leve com você pra onde você for.

    ô, seu moço do disco voador, me leve com você pra onde você for.

  13. Antes de o amor se mostrar

    Eu vi ele me olhando. Enquanto eu, deitada, abraçava carinhosamente a coxa dele, sentado.

    Ele não viu que eu vi. Continuou roçando os dedos entre os fios dos meus cabelos num movimento lento. Tinha ritmo. Dedos subiam, dedos desciam.

    Ele me olhava enquanto eu fingia que não olhava, mas retribuía com beijos suaves nas coxas. As abraçava com uma força absurdamente leve e com um pouco de medo de saber quanto tempo aquilo ia durar. Talvez ficasse ali, um segredo guardado entre as quatro paredes daquele quarto quente.

    E eu que tinha prometido a mim mesma que nunca mais tentaria reconhecer o amor antes que ele resolvesse se mostrar pra mim.

    por Rafaela Rios Feitosa

  14. quero um quadro. *-*

    quero um quadro. *-*